8 de jun de 2014

“PORQUE VOCÊ É TÃO QUIETO?”



A cena de tão real, simples e trivial que era chegava a ser poética.
Em uma tarde de domingo ensolarada, no mês de junho o homem idoso e um menino conversavam.
Não era uma coisa comum para os dois. O velho não era muito chegado a se socializar, o menino não era acostumado com a quietude da rotina de um velho. Tudo isso aconteceu porque os pais do garoto tiveram que deixá-lo ali para resolver uma coisa qualquer e que não poderiam levar crianças ao recinto. De início o velho não gostou muito, já estava acostumado a viver só. O menino, então, odiou tudo aquilo. Ficaria horas distante dos videogames, do celular, dos amigos, da internet. Seria um sofrimento para os dois.

Depois de almoçar o velho se dirigiu à varanda de sua casa. Lá ficava olhando o tempo passar. O garoto aproximou-se, já não aguentava mais evitar contanto. A conversa surgiu mais para matar o tédio do que por aproximação.
“Vô, por que você é tão quieto? Você não fala nada. Só fica aí olhando pro nada. Tem saudades da vovó?”, perguntou o garoto, movido pela curiosidade.
O velho bufou, parecia que tinha sido interrompido de fazer algo sagrado. Mas como não tinha como evitar mais o menino decidiu responder: “Meu filho, imagine que você pudesse voar. Você poderia voar para onde quiser, quando quiser e por quanto tempo quisesse. Com qual frequência você quereria voar?”, perguntou o velho.
“O tempo todo!”, respondeu o menino entusiasmado.
“Pois é. O que é voo para o passarinho são os meus pensamentos para mim. E acho que você deveria começar a querer voar também. No início será difícil, mas depois que se acostumar com o ar mais fino, com a sensação de liberdade, será difícil querer tocar o chão novamente.”


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