23 de jun de 2014

ENDEREÇOS POÉTICOS






A vida não deixa de ter seu lado irônico, irracional e, às vezes, trágico. Toda essa carga de emoção, de vez enquanto, passa despercebido. Vivemos e não sentimos.

Um dia desses peguei-me pensando nos endereços que habitei até agora. Boa parte da minha vida vivi em um bairro chamado Novo Horizonte. Um bairro com nome poético, um novo horizonte, uma nova vida, uma nova perspectiva, foi assim que assimilei o nome do bairro quando parei para pensar sobre ele, no entanto, a realidade daquele lugar não passava nem um pouco de esperança para seus habitantes. O bairro sempre foi o lado feio de Serra, assim como o Bairro Féu Rosa, os dois sempre tiveram uma reputação muito ruim. Porém, o habitantes desses bairros juram de pé juntos que aqueles são os melhores lugares para se morar! Obviamente que há aqueles tomados pelo espírito de cachorros vira-latas e se envergonham de morar onde moram. Preferem à ilusão de que morar em Laranjeiras, ou Jardim da Penha sem dignidade é melhor do que morar em Novo Horizonte, por exemplo. É uma questão de Status, alguns entendem outros não, eu mesmo não entendo. Prefiro uma casa grande e confortável em Novo Horizonte do que um apartamento minúsculo em Jardim da Penha, normalmente rateado com 4 ou 5 estranhos. Novamente, uma questão de Status, e novamente, eu não entendo essa lógica das aparências. Sou teimosamente orgulhoso das minhas raízes.

Hoje, depois de casado, moro em um bairro chamado em São Diogo. O que há de poético nisso? A começar pelo nome do bairro. Carregado de um sentimento religioso muito forte. Segundo a história do próprio santo, ele era um monge franciscano de apurada inteligência e foi considerado um dos homens mais cultos da cristandade. Nascido nos anos de 1400 destacou-se em suas missões e foi considerado um principais defensores dos indígenas nas colônias espanholas na América do sul.


Curiosa são de coincidências que o universo pode nos apresentar. Nem sempre perceptível aos olhares desafinados com as mensagens escritas em nossas caras. O tal santo era considerado homem culto, e o bairro que o homenageia recebe o nome de ruas de escritores da literatura lusitano-brasileira. Então temos esquinas elegantes como a José de Alencar com a Machado de Assis, ou a Humberto de Campos com a Joaquim Nabuco. É claro que a maioria dos residentes mal sabem que foram esses homens, e para falar a verdade, a bem pouco tempo atrás eu também não sabia. Mas hoje me encontro aqui, brincando de escritor, morando na Rua Humberto de Campos, número 1149.

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