8 de jun de 2014

COMPLEXO DE VIRA-LATA: AQUÉM DE UMA QUESTÃO SOCIAL




 Observado primeiro por Nelson Rodrigues, depois do Brasil perder para o Uruguai na Final da copa de 1950,  o tal viralatismo brasileiro parece ser algo mais do que um problema social, na verdade ele parece ser um problema epistemológico. 

Aristóteles dizia em sua ética que, o melhor juiz de um determinado assunto é aquele que mais estuda o tal assunto. Desse modo, o especialista seria o melhor juiz por saber com profundidade o objeto analisado. Assim, o médico seria o melhor juiz para falar sobre medicina, o advogado o melhor para falar sobre leis, o artista o melhor para falar sobre arte, etc.

Já a modernidade filosófica-cientifica aposta em outro critério de verificação: a objetividade. E para atingi-la são necessários dois critérios: 1) o método e 2) o distanciamento, para alcançar uma noção mais crua e realista do assunto. Afinal, o peixe é o que menos sabe sobre a água.

O viralatismo, como "fundamento" epistemológico, fundi esses dois métodos de verificação: o do especialista (expert) que é o melhor juiz e o da objetividade. Embora pareçam contraditórios, a logica brasileira deu um jeito nisso. Mas como?

Um exemplo. Um gringo se diz surpreso pela qualidade dos aeroportos brasileiros e, ainda, acrescenta que nem em seu pais de origem algo tao bom assim pode ser experimentado. 

Aplicando o viralatismo como método de validação de um argumento temos. 1) como, supostamente, o gringo passou por muitos aeroportos ele deve saber o que é um aeroporto bom (expert). 2 como ele não é daqui e sua visão é objetiva, pois não esta mergulhado em nossa realidade, somada á aplicação do método, experiência, observação, etc, temos o segundo critério de validação.

Dai que formamos um juízo viralata posteriori sobre as condições de nossos aeroportos: " nossos aeroportos devem ser bons mesmo, até o gringo gostou!


Para mais informações sobre o caso supracitado, visite:  http://tijolaco.com.br/blog/?p=18021 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não me deixe pensar que sou o dono da verdade. A conversa continua nos comentários