26 de nov de 2013

A ESCROTIDÃO DO MERCADO IMOBILIÁRIO: TROCA DE NOMES PARA MELHOR VENDER




Os veteranos de guerra dos EUA sofrem bastante com o descaso de seu governo, em um post mostramos como ao decorrer dos anos os nomes das condições pós-guerras foram mudando e, a cada vez, que o nome mudava parecia haver uma diminuição da dor e a exclusão do sujeito humano .
Este post não é sobre guerra, mas aborda uma questão de troca de nomes também. O mercado imobiliário adora fazer esse tipo de coisa também, renomear para renovar, renovar para vender mais caro e mais.
Já tive a oportunidade de visitar Nova York e por um destes tours, o guia nos conta como os bairros do Brooklyn foram tendo seus nomes trocados para melhor atender as expectativas dos investidores.
Não precisamos ir muito longe para ver esse fenômeno, houve uma época que a Petrobrás cogitou trocar seu nome para Petrobrax com o intuito de atender interesses de investidores estrangeiros (http://relacionamento.petrobras.com.br/memoria/minisites/memoria/marca/90_03.html). Felizmente isso não aconteceu.
Voltando ao Brooklyn, muitos escritórios de corretores mudavam os nomes dos bairros com a finalidade de reinventarem um padrão de vida daquele lugar ( http://www.businessinsider.com/gentrification-has-made-this-old-brooklyn-neighborhood-unrecognizable-2012-3). Inclusive, até mesmo o famoso bairro do Soho passou por esse processo.


O processo em questão tem um nome: Gentrificação. Essa bagunça toda tem a finalidade de criar um “fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gentrifica%C3%A7%C3%A3o)

A verdade é a seguinte. Durante toda a minha vida morei em um bairro popular de Serra. O nome do Bairro é Novo Horizonte. Este bairro tem suas mazelas conhecidas, afinal durante toda sua história foi palco de bizarrices e casos violência. Apesar disso tudo, é um bairro muito bom de se morar. Recentemente (2008-2013) recebeu obras de urbanização: todas as ruas foram pavimentadas, esgoto, posto de saúde, uma bela praça, novo campo de futebol, reforma e criação de escolas, etc.
O bairro já era prospero na área comercial antes disso tudo acontecer. Mas durante esse período, o comercio se fortaleceu ainda mais( quanto a isso comerciantes de pequeno porte discordam). Hoje, Novo Horizonte é uma espécie de centro da periferia. Seu comércio abastece a região que engloba Novo Horizonte, Cidade Continental, Carapebus, Balneário de Carapebus, Biganca e São Diogo; e estes bairros são enormes em extensão e população: é uma oportunidade muito boa para aqueles que antes desprezavam essa região de Serra, ou seja, os supermercados e empreendimentos de médio porte. Aí que o drama começa!.

Com o boom do crédito e a expensão da classe média, estes empreendimentos migraram todos para o famigerado Novo Horizonte, acabando com os comércios locais, mas de certa forma“promovendo” o “ “ “ progresso””” da região.
Daí temos a construção de um condomínio-clube na entrada do bairro, e logo em seguida, a construção de um Strip Mall, tudo isso com nomes ingleses, sendo que poucas pessoas daqui sequer falam corretamente o português; é triste mas é verdade! Não satisfeitos com isso, um supermercado de uma franquia bem forte do ES resolve abrir uma loja por essas bandas. E o que eles fazem? Oras, ao invés de dizerem “nova em Loja Novo Horizonte”, ou “conheçam nossa unidade em São Diogo”, inauguram a loja com o nome de Plaza Center Mall (nome fictício, mas vocês têm uma ideia do que estou falando).

Jamais esperaria ver isso acontecer, mas hoje Novo Horizonte é alvo de Gentrificação e especulação imobiliária. E o que vai acontecer daqui para frente? Provavelmente essa população original dali migrará para outro ponto da cidade, pois de pouco a pouco está ficando muito caro morar por essas bandas.

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